Rebelião nas periferias: o “caso” francês
Amplamente midiatizadas e dramatizadas, as “revoltas” de novembro de 2005 na França foram igualmente bastante analisadas. Privilegiando seus aspectos “urbanos”, “locais”, ou mesmo “étnicos”, a maior parte das interpretações propostas pelos pesquisadores teve por efeito, senão por objetivo, negar a e...
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| Format: | Online |
| Language: | por |
| Published: |
ANPUR
2006
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| Online Access: | https://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/160 |
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| Summary: | Amplamente midiatizadas e dramatizadas, as “revoltas” de novembro de 2005 na França foram igualmente bastante analisadas. Privilegiando seus aspectos “urbanos”, “locais”, ou mesmo “étnicos”, a maior parte das interpretações propostas pelos pesquisadores teve por efeito, senão por objetivo, negar a este evento o seu verdadeiro caráter político. Elas não fazem mais do que reconduzir ao plano teórico o impasse prático ao qual conduziu uma “política urbana” que, há três décadas, segundo diferentes configurações, restringe-se a territorializar a questão social para eludi-la, à falta de poder resolvê-la. Essa questão reveste-se de formas espaciais novas com a transnacionalização do capital na era da acumulação flexível. Para neutralizar “no terreno” as desordens sociais engendradas por essa “nova ordem mundial”, as autoridades francesas esforçam-se em instaurar uma “nova ordem local”, em que a prevenção tende a tomara forma da repressão e a “política urbana” a confundir-se com uma polícia da cidade. Vale dizer que o “caso” francês não é mais que a exceção que, em um contexto sociológico, urbanístico e ideológico, vem confirmar a regra “global”. |
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